Araçatuba, Alasca – Tão longe, tão perto

Caio e Myriam. Myriam e Caio. 35 anos de casamento e 40 de relacionamento. Os últimos sete anos on the road, em várias viagens sobre duas rodas, muitas delas intercontinentais. O que os move?

São muitas as respostas. Mecanicamente, o movimento é propiciado por duas BMW, uma R 1200 GS Adventure e outra R 1200 R Classic, adquirida recentemente por Myriam. Emocionalmente, eles dizem que as estradas trazem muitas respostas, e a primeira delas fala sobre um mundo sem fronteiras e sem limites. E, sensorialmente, por fim, como expressar em palavras a sensação de liberdade, o vento batendo no rosto?

O cheiro da chuva antes de chegar com aquela umidade fina que a antecede e que envolve? Ou mesmo os aromas (tantos!), que chegam furtivos e dão um agrado inspirador… Como bem definiu Myriam, os perfumes do caminho: uma brisa de laranjal em flor, inesquecível. O frescor de um vento de eucaliptos quando a estrada é ladeada pelas grandes árvores. O cheiro da cana no ar no percurso que vai de Araçatuba a Ribeirão Preto, trecho que eles fazem sempre para os cafés da manhã aos sábados na Eurobike. (Detalhe: são 330 quilômetros que eles fazem assim… num pulinho!)

Tudo muito bonito de se descrever, poético e tranquilo, se as viagens se limitassem à região onde eles estão, ou a roteiros elegantes pelo velho mundo. Mas eles não se restringem ao conforto e à segurança, o chamado vem cheio de desafios… O Alasca foi o último e grandioso apelo da dupla. Como negar o chamado do longe? Já imaginou quantos cheiros pelo caminho?

A viagem começou dentro de outra viagem: a rota gourmet entre Argentina e Chile, feita por Caio e Myriam em fevereiro de 2012, com a Alive Moto Tour, empresa de Erik. Durante os vinte dias de percurso, uma grande amizade nasceu entre o casal e Erik. Numa conversa regada a bom vinho em uma das etapas, Caio lançou o anzol: seu sonho era cruzar as Américas de moto e Glaciar Ruth, Parque Nacional Denali, na fronteira do Canadá com o Alasca chegar ao Alasca.

Erik rebateu: ele não somente já tinha feito essa viagem como achava a sua operacionalização quase tranquila… Erik fisgou: Caio foi dormir com o sonho da viagem e Myriam sonhou junto dali para frente, todos os dias.

Logo em seguida, em abril de 2012, o casal fez Portugal e Marrocos de moto: o mito das viagens intercontinentais caiu ali. E o Alasca sempre na cabeça… A proposta do roteiro de viagem mandada por Erik permanecia em cima da mesa… O mês de abril foi permeado pela dúvida, pois a viagem ao Alasca só poderia ser feita durante o verão. Era naquele ano — seria a terceira viagem do casal em seis meses — ou só no ano que vem. Caio ponderava que a cada ano fica um pouco mais difícil fisicamente…

A empresa de construção de Caio caminhava bem, a administração bem conduzida, os filhos já se destacando na gestão, e o Alasca chamando. Uma noite de maio, no terraço de vidro de seu apartamento que descortina Araçatuba em 360º, Caio EMOÇÃO pegou o telefone e falou com Erik em Monte Verde: “está pronto para ir?”

Saíram em 15 de junho. E logo o olfato foi registrando as marcas no caminho: passa-passa cheiro de cana (Araçatuba teve, no passado, a vocação para o gado extensivo, mas hoje em dia é um mar canavial), passa cheiro de soja, soja e mais soja (rumo ao Mato Grosso); sente-sente-sente cheiro de floresta queimando (“Em Rondônia muitas vezes ficamos próximos do fogo, o calor das chamas, bastante fumaça, era a tristeza de ver a floresta indo embora do Brasil”, contou Caio).

Mas a floresta ainda estava lá, viva e pulsante ao cruzarem pelo Peru e Colômbia. “É uma pena, mas nessa travessia específica A travessia pelas fronteiras, principalmente na América do Sul, teve de ser feita com cuidado. Cada país tem uma exigência a respeito de seguro e documentação dos veículos e inúmeras vezes tiveram que lidar com o pequeno poder dos funcionários das aduanas. “Isso fazia parte do caminho, tínhamos paciência e depois os probleminhas enfrentados viravam piada e motivo de riso”, lembra Myriam. “Na saída do Peru, por exemplo, o funcionário da fronteira notou que havia um número escrito errado no documento do Erik, logo na entrada do país (na fronteira com o Acre) e nos reteve ali por horas por causa disso”, conta. Percalços dos caminhos sul-americanos e centro-americanos: estradas piores, funcionários e serviços públicos complicados, pessoas excessivamente armadas (quadro muito forte na Colômbia e Equador, que ainda vivem o medo das guerrilhas) e uma preocupação maior com segurança. “Há que se viajar mais atento, procurar fazer os percursos de dia”, avisa Caio. “Mas nada, nada mesmo que tenha dado um receio verdadeiro”, explica.

A contrapartida à carência de infraestrutura das Américas do Sul e Central é o calor de uma cultura ainda muito verdadeira e pouco pasteurizada. “Vimos paisagens maravilhosas, cruzamos cidades e vilarejos coloridos, animados por feiras com artesanato incrível, todo um patrimônio de arquitetura colonial misturado com os tons indígenas. Pode ter certeza que essa combinação é muito linda, ainda mais em territórios andinos, onde a cultura é muito forte e ancestral”, conta Myriam.

A força estética da América do Sul é percebida nos relatos. Marcaram sobremaneira Cuzco e a arquitetura colonial espanhola viva, o ar rarefeito das altas montanhas e suas paisagens de, literalmente, tirar o fôlego. “Nas etapas muito altas do caminho, fazíamos uso das folhas de coca para mascar e isso trazia um alívio para os males da altitude, como dores de cabeça e falta de ar”, conta Caio. Ficaram também fortes as impressões sobre os famosos desenhos de Nazca, Caio e Myriam optaram por sobrevoar as famosas linhas e seus desenhos misteriosos; quem os teria feito, qual seria sua utilidade, eram os deuses realmente astronautas? Em cada etapa havia a possibilidade da “viagem” dentro da viagem, e o Peru é um prato cheio para isso. No Equador, ficou na lembrança o perfume das flores — alfazema no ar —, chegando até a beira do asfalto com seu colorido. E ao fundo de tanta beleza, a imponência do maior vulcão do mundo, o Chimborazo.

Outro momento marcante deu-se já na América Central, entre Guatemala e México, na rota Maia: “O patrimônio das cidades perdidas é realmente emocionante, como Teotihuacan, que visitamos. Subir no topo das pirâmides e ver o descortinar de uma civilização que se foi para sempre do planeta, tão repentinamente e meio que sem explicações… Essas e outras histórias humanas nos intrigavam no caminho e se transformavam, à noite, em alvo de longas conversas regadas por bons vinhos e culinária típica”, lembra Myriam.

A cada parada do caminho, o rumo certo apontava para os hotéis mais charmosos e confortáveis do lugar. “É essencial que depois de um dia inteiro na moto você encontre um luxo extra na hora de dormir e uma comida realmente gourmet. Procurávamos nos dar isso todos os dias, sempre que possível, claro, pois em algumas etapas não havia opções interessantes. Nessas paradas a gente comentava o dia e cada um do grupo trazia seu olhar.

Sempre conversas muito gostosas. (No início eram apenas os três, Myriam, Caio e Erik. A partir de Phoenix, Estados Unidos, Cecília, a namorada de Erik, se juntou ao grupo.) Ao cruzar a fronteira do México, a América do Norte se fez definitivamente presente: melhores estradas, mais infraestrutura.

Estavam cada vez mais perto de seu destino final. Tinham a segurança de contar, a cada quilômetro, com qualquer tipo de apoio necessário: desde bons hospitais até boas oficinas. A cada 10 mil quilômetros havia a necessidade de uma revisão total das máquinas, e isso foi feito em Lima, no Panamá e por fim em Los Angeles. A paisagem também compensou e mostrou sua diversidade: os trechos entre São Francisco e Las Vegas, o Grand Canyon… Também no hemisfério Norte foi possível perder o fôlego diante das belezas naturais. E de repente uma placa: Welcome to Alaska. “Estamos aqui, chegamos e o que parecia difícil foi afinal, tranquilo”, pensou Caio.

Desceram da moto, Myriam chorou muito de emoção: Alasca, tão longe, tão perto! Frio, ursos negros pelas estradas, a incrível visão dos glaciares em lento movimento: rios imensos de gelo descendo as montanhas e em câmara lentíssima (nossos olhos não são capazes de perceber) se fundindo com o mar. Estava terminada a viagem e agora as motos seriam despachadas e eles voltariam a jato para casa, completamente transformados pelo caminho e com o melhor: a sensação de que uma viagem bem preparada pode te levar a qualquer canto deste planeta. Era o começo de outra etapa: organizar os registros, começar o projeto de um livro e, por que não, pensar numa próxima viagem. Pois, como dizem Caio e Myriam, a estrada te captura. E depois de experimentar uma vez, a gente não quer parar mais. Qual o próximo destino dos dois? Eles se olham, cúmplices… A aventura, pelo jeito, ainda está para ser revelada… sentimos que estamos perdendo, a uma velocidade muito grande, a nossa floresta Amazônica. E que ela ainda se faz presente, majestosa, nos países vizinhos”, explica Caio.

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